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7 filmes infantis que abordam consciência e conservação ambiental

Acho que essa lista é essencial para crianças, mas diz muito sobre adultos. Diz muito sobre o mundo em que vivemos e nossa intensiva campanha em destruí-lo. Narra com histórias lúdicas o obvio: sem natureza, como sobreviver? E temos em doses divertidas e sensíveis a ilustração de quão contraditório e cego pode ser o ser humano, destruindo vida em busca de uma “vida melhor”.

Então antes de adentrar em qualquer assunto, como sempre, aconselho que você reserve uma tarde, faça algo gostoso para comer e sente com seu filho para ver algum destes títulos. Mais importante que apresentar lições e conteúdo de qualidade para crianças, dar o exemplo tem sido o melhor dos métodos.

Não basta apenas falar “Preservar o meio ambiente é importante, queridx, por favor, veja esse filme”, é necessário inserir o hábito da conservação e restauração do meio ambiente em nossa rotina. Como garantir um futuro melhor para nossos filhos? Mostrando na prática que a mudança é possível. Sim, podemos transformar nossas práticas em algo positivo.

Temos aqui lindas imagens, com animais, árvores, aventuras e a maior lição de todas: precisamos valorizar a vida, e não só a nossa.

E muito me espanta que num país que possuí a maior área da Floresta Amazônica, tribos intocadas e uma diversidade de fauna e flora de colocar continentes no chão, se produza tão pouco conteúdo infantil abordando tais temas. Alô indústria! Vamos falar de coisa boa, vamos falar de meio ambiente!

Então segue mais uma lista da nossa coluna semanal #conteúdodequalidade. Boa diversão 🙂

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9 projetos que estimulam mulheres a amarem o próprio corpo

O problema do Photoshop em fotos é que ele vende uma ideia completamente mentirosa da realidade e ao invés das marcas apenas descartarem isso, por se tratar de uma mentira, não! Eles impõe absurdos desde cedo para meninas, forçando a crença de um corpo que não é nem de longe perfeito, pois não existe. O preço pela beleza impecável, além de ser uma pressão social insana e com vírgulas e vírgulas de machismo, transforma mulheres cheias de vida em sombras diminuídas por capas de revistas e cobranças diárias.

Quem nunca se viu desesperada por perder aqueles quilinhos? Principalmente depois de uma gravidez, quando todos te olham com a expectativa de que você volte a usar as roupas de antes. Ou quando você descobre com estrias e sente que mesmo usando roupas o mundo vai ver aquelas marcas que só denotam como você se transformou, e isso é positivo, na verdade.

“Nossa, você emagreceu!” – ainda acreditam que esse é o ápice dos elogios, mas não, o ápice dos elogios é: Nossa, como você está feliz consigo mesma.

E tenhamos esperança, esse cenário está mudando. Toda semana me deparo com projetos que empoderam e aceitam mulheres como são. Então compartilho com vocês os 10 projetos que mais me emocionaram e me fizeram crer que estamos recobrando a noção daquilo que é verdadeiramente importante.

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“Strong Is The New Pretty” mãe registra poderosas fotos de suas filhas

Kate Parker é uma mãe e fotógrafa de Atlanta, Georgia, e tem causado suspiros por aqui com seus ensaios fotográficos que mostram meninas em momentos descontraídos, fazendo o que amam, sem se importar com preconceito ou esteriótipos.

Suas duas filhas Ella e Alice, de 9 e 6 anos, são retratadas no ensaio “Strong is The New Pretty” com completa honestidade e sensibilidade.

“Eu queria que esta série de imagens mostrasse sua ousadia, sua força e a beleza em si, como são,” explica Kate.Minhas meninas sabem que elas são simplesmente perfeitas. Elas mesmas, aventureiras, frustradas, felizes, altas, atléticas, cruéis, engraçadas. Elas não precisam ter o cabelo arrumado, roupas combinando, ou até mesmo estarem limpas para serem amadas ou aceitas. Ser forte é o novo bonito.”

 

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Querida madrasta

Talvez você não tenha conhecido a realidade de perder tudo que tinha de sólido na vida; de não poder lutar por si mesma, por aquilo que ama, pelas pessoas que te fizeram, criaram e você jurava que iam passar a vida juntas. É frustrante. Às vezes causa raiva.

Em outros momentos é um fôlego, já que nem sempre casamentos terminam com sorrisos. São meses ou anos de brigas, gritos, violências e a angustia de só querer que aquilo melhore. De ver seu pai ou sua mãe triste e não saber como ajudar. O fato de não conhecer outra realidade e de não conseguir gritar por um basta porque você é uma criança. Crianças não falam, não decidem, não querem.

Crianças não destroem casamentos, mas são constantemente culpadas por isso.

Eu te escrevo como a menina que viveu uma separação extremamente conturbada, que viu os pais deixarem de se falar, se humilharem e se ofenderem publicamente. Escrevo como a mãe que sabe que tudo pode mudar e um dia minha filha pode ter no meu lugar outra mulher. Te escrevo agora, aos vinte e dois anos, porque aos dez não pude explicar isso.

E direciono para você, desconhecida, pois agora entendo um pouco mais dessa complexa realidade que chamamos de vida adulta e sei que nós também temos medos e traumas. Que também é novo para uma mulher que irá ocupar o lugar de madrasta toda essa divisão, essa bagagem um tanto desconhecida.

Sabe, geralmente quando os pais estão se separando, os filhos meio que se perdem no processo. Tudo se mistura: dor, perda, aflição e uma mudança radical. São dois caminhos que estavam juntos e ganham rumos diferentes, mas que sempre compartilharam ramificações, pequenas veias que entrelaçam tudo, porque isso é ter filhos. É entender que sua vida jamais será simples como arrumar as malas e partir – mesmo que dê vontade às vezes.

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Bruxa Carolina: livro infantil interativo te convida a ficar offline

Bruxa Carolinabruxamockup2 é um livro/aplicativo que exige que o leitor interaja com a história, não só passando as telas, mas acionando diferentes objetos que vão “criar vida” através de animações, convidando crianças a explorarem outras formas de diálogo tanto dentro do livro, quanto fora dele.

Na história, nossa Bruxa que se chama Carolina está um tanto frustrada já que não consegue mais assustar crianças; devido ao uso excessivo de tablets, celulares, computadores e TVs, as crianças tem se interessado cada dia menos pelo convívio com outras pessoas ou a magia das histórias.

O aplicativo para smartphones e tablets usa de ilustrações, música, narração e animações, abrindo espaço para que crianças e adultos entendam o mundo da Bruxa Carolina e a importância de também desligar tais dispositivos e ir curtir a vida.

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Beatriz, design e animadora do projeto conta que “Com esse livro queremos fomentar a consciência crítica a respeito do uso de tecnologias por parte das crianças, ao mesmo tempo que lembrá-las das outras coisas ‘mágicas’ que acontecem fora das telas. Estamos vivendo um tempo em que é questionável o uso excessivo da tecnologia por parte das crianças, mas percebemos que cada vez torna-se mais difícil afasta-las das telas, então a nossa proposta é que levemos mais conhecimento e leitura para elas por esses meios”.

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Nós, dois computadores, um bebê e a decisão de trabalhar em casa

Se alguém chegar aqui em casa agora, vai me ver na mesa da cozinha digitando furiosamente e Marcelo na mesa dele, ilustrando ou em reunião. E muita gente acha estranho, mas é assim que trabalhamos. Não foi uma escolha fácil, na verdade, foi muito difícil escolher ficar em casa e seguir outro ritmo de trabalho. Dar adeus a segurança de um salário fixo, horas de trabalho por dia exatos, plano de saúde e todo final de semana livre.

Quando engravidei de Helena, estava trabalhando num shopping. Ficava mais de dez horas em pé por dia, trabalhava aos finais de semana, não conseguia escrever porque não me sentia bem e não tinha perspectiva de vida. Marcelo estava com a empresa dele de jogos, a TawStudio, e estava tudo bem. Eles tinham terminado de publicar um novo jogo e estavam repaginando o primeiro título, existia grande satisfação, mas não muito dinheiro.

Talvez, antes de mais nada, seja importante ressaltar que se você for trabalhar na área criativa no Brasil, irá encontrar algumas pedras enormes no meio do caminho. Primeiro, as pessoas não vêem ilustrador, escritor, resenhista e por aí vai, como alguém que trabalha. Foram inúmeras as vezes que disse o que fazia e ouvi um “ah, que bacana, agora me fala: você trabalha em quê?”. Eles estão acostumados na minha região a encarar engenheiro, administrador, médico e comerciante como algo sério, o que fazemos é uma extensão da adolescência. Não é permitido sonhar, apenas pagar.

Mas quando chega um bebê nós nos vemos frente a frente com um problema normal na vida adulta: dinheiro. Nós não tínhamos nada e em 5 meses tínhamos um aluguel, móveis, contas e uma sequência de coisas que nunca nos pertenceu totalmente. Só fui descobrir quão caro era uma compra mensal de alimentos quando tive que comparar o preço do arroz. Era absurdo!

E nessa época eu estava desempregada, havia saído daquele trabalho por alguns abusos quando descobriram minha gravidez e Marcelo começou a dar aulas, fazer freelas, o que fosse, nós tínhamos que conseguir x valor no fim do mês ou ia faltar algo.

Muitas pessoas que eu conheço passam por isso sem filhos, já que esses chegam depois que tudo está estabilizado, mas infelizmente nem tudo segue nossos planos e a gravidez acontece quando menos esperamos para muitas pessoas. Então, nós tentamos fazer o melhor com o que tínhamos.

Nesse dia Helena não tinha parado de mamar e chorar a madrugada inteira. De  tarde eu dormi e Marcelo ficou com ela - trabalhando.

Nesse dia Helena não tinha parado de mamar e chorar a madrugada inteira. De tarde eu dormi e Marcelo ficou com ela – trabalhando.

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“Mas ele é da família”

Tem uma rua na cidade de Pindamonhangaba que sempre me traz tristes lembranças. São várias na verdade, mas essa é uma daquelas que toca uma parte muito sensível ainda, porque um dia, ali, me sentei com outras mulheres e esperei minha vez de denunciar uma violência. Um lugar que nunca imaginamos ocupar, até que um dia o rosto está sangrando e alma dói ainda mais, e temos que encarar outros olhos, que geralmente nos acusam ou ignoram a dor, que não estão dispostos a ajudar.

Então quando li o texto no Lugar de Mulher, falando sobre a ineficiência da Delegacia da Mulher, senti uma centelha de coragem de contar algo que me aconteceu já faz quase cinco anos.

Acho que quando falamos sobre velhos fantasmas, e principalmente sobre aqueles que sabemos que também fazem parte da realidade de outras pessoas, é como se isso pudesse trazer força de alguma forma. Existe algo de acolhedor de saber que alguém passou também por aquilo e está bem, e falou sobre isso. Existe uma luz no fim do túnel. Uma solução para não pular da janela. Isso me aconteceu com várias violências, já que muitas vezes parece que minha vida foi a narrativa da história de um carrinho bate-bate que escolheu seu alvo. Mas a verdade é que essa é história semelhante de tantas outras meninas, mulheres, que também foram ceifadas de seus direitos, de respeito e de ocupar seu lugar numa sociedade que vê tais agressões de forma tão comum.

Então, quando um dia subi os degraus da Delegacia da Mulher para prestar queixa contra o meu irmão, já havia chorado tudo que podia ao longo do caminho. Foi algo que me foi impedido por anos, por minha mãe, por meus tios, porque estava proibida de falar sobre, de denunciar as violências que sofria em minha casa.  Porque eles também me agrediam, porque eles deviam estar imunes da justiça por possuírem o mesmo sangue das minhas veias.

Mas a verdade é que esperamos sempre mais da família. Sempre sonhei com o dia que meus progenitores e familiares iriam realmente fazer aquilo que estavam na posição de fazer: me proteger. Mas numa sequência, descobri que nem sempre a família te apoia e te cerca de cuidados quando o mundo já é tão cruel, às vezes, de uma forma mais banal do que acreditamos, é a família que te priva de segurança, de amor, de respeito.

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Ashley Judd: Esqueça seu time, sua violência online contra meninas e mulheres é que pode ir se foder

Durante um jogo de conferência no último domingo, eu postei um comentário no Twitter que algumas pessoas consideraram antiesportivo. Eu não ligava muito para três jogadores sangrando na quadra, e eu disse que o adversário estava “jogando sujo e podia ‘chupar’ o meu time fazendo o lance livre”. O volume de ódio que eu recebi em resposta foi  assombroso.

Eu rotineiramente lido com tweets que sexualizam, objetificam, insultam, degradam e até me ameaçam fisicamente. Eu já pesquisei – recentemente, na verdade – o que é legalmente acionável em face desse tipo de abuso, e forneci ao Twitter dezenas de relatos sobre o conteúdo horripilante em sua plataforma. Mas esse tsunami em particular de violência de gênero e misoginia inundando meu feed do twitter foi esmagador.

Tweets vieram aparecendo, me chamando de “boceta”, “puta”, “vadia” ou me mandando “ir chupar um pau”. Alguns até ameaçaram me estuprar, ou “anal, anal, anal”.

Eu apaguei meu tweet original depois do jogo, antes de todo o inferno desandar, para  fazer as pazes por alguma ofensa verdadeira que eu pudesse ter cometido ao descrever a jogada como “suja”. (É claro, outras pessoas, incluindo meu tio que é capelão, também expressou o receio de que os atletas se machucassem seriamente. Mas meu tio não foi chamado de “boceta fedida”. Ele não foi poupado por causa da sua profissão; ser um homem fã de esporte é a sua imunidade contra esse abuso.)

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Páscoa é celebração, não consumismo

O sonho do retorno à uma Páscoa com partilha

Para cada povo a Páscoa possuí um significado diferente. Para os católicos, e grande parte dos Latinos, representa a Ressurreição de Cristo. O nome veio da Páscoa Judaica, que comemora o Êxodo, quando os hebreus fugiram da escravidão no Egito pelo conhecido Moisés e seu caminho pelo mar.

Mas antes de alguma religião incorporar ou ressignificar a comemoração, antigos povos pela Ásia e Europa já comemoravam a chegada da primavera presenteando pessoas queridas com ovos. Assim nasceu a tradição de se pintar e adornar ovos para Ostera, Deusa da Primavera.

O coelho surgiu com o encontro das antigas tradições egípcias, que acreditavam que o coelho representava renascimento. Com o sua conhecida capacidade de reprodução, alguns povos também acreditavam que representava a fertilidade. E quando os alemães embarcaram para a América, trouxeram com eles a tradição do Coelho da Páscoa, que hoje é representado como conhecemos: trazendo ovos para celebrar a festa do renascimento e fertilidade.

Mas porque uma história tão linda, cheia de simbolismos sensíveis, se transformou na festa da Ovostentação?

Colocaram marcas, inflacionaram o preço e transformaram uma linda festa em algo que faz girar uma indústria que só nos mostra não dar a mínima para palavras como renascimento, fertilidade, primavera e união. Criaram produtos sexistas, preenchidos de presentes para alavancar desenhos e marcas. Não inserem a cultura do compartilhamento, mas o do extensivo e abusivo corredor de ovos sem luz no fim do túnel.

Então, sabendo disso, nós proclamamos aberto o nosso Sorteio de Páscoa por uma páscoa sem consumismo e incentivando #comprodequemfaz.

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O psicodélico mundo das mães que não dormem

Era um dia normal, tirando o fato de que fazia três meses que não dormia duas horas seguidas.
Me deitei como sempre às 23 horas, e Helena dormia. E é deste ponto que começa a aventura.
Acordei às oito da manhã sem a calça do pijama, com a camiseta suja de geleia e leite escorrendo pelo pescoço. Estava sentada na beirada da cama segurando um bebê imaginário e balançando.
Não lembro absolutamente nada naquela noite: quantas vezes acordei, o que fiz, o que comi, porque acordei com a sensação de que havia alucinado.

Então imaginem como me senti quando um dia na fila da loja de roupas no shopping, vi uma moça com seu bebê no colo, chorando. Algumas lágrimas escorriam do canto do olho, ela segurava dois pares de roupa de criança e estava visivelmente esgotada. Quando encostei no braço dela e disse que um dia estive numa situação parecida, ela apenas desatou a chorar na loja e nós ficamos lá, chorando, com um bebê, sacolas e um monte de gente olhando.

Ninguém sabe dessa história porque ela nunca havia me autorizado a conta-la. Nem meu marido ou familiares sabem que nos sentamos depois numa sorveteria e ela me contou que fazia seis meses que não dormia, que o bebê só queria mamar e colo. Que ela se sentia drenada, exausta, que vivia irritada e não sentia que havia solução ou que poderia falar sobre isso francamente. Porque, veja bem, ela amava o filho, amava ser mãe e planejou engravidar por anos, mas nada, nada nesse mundo poderia tê-la preparado para o desafio que seria ficar tantas noites sem dormir.

E eu sei exatamente como é isso e tenho certeza que outros milhares de mães também sabem.

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