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8 lugares incríveis para conhecer com crianças em SP

Faz alguns meses que chegamos em SP, desde então nossa missão na vida é descobrir lugares incríveis em São Paulo que envolvam não gastar dinheiro, não sofrer para chegar até lá e ser preparado/amigável com crianças.

Como mãe solo eu não posso só falar “Fica aí com a criança que vou nesse museu”. Não dá, e nem deveria ser essa a realidade. Não a da maternidade sobrecarregada, mas não poder levar nossos filhos em passeios culturais. O espaço está aí e deve ser ocupado por pessoas de todas as idades e tipos.

Sim, criança chora, sente fome, precisa de um banheiro equipado e lugar para descansar, e isso não deve ser obstáculo para eles aproveitarem a cidade tanto quanto nós. E temos que exigir isso incansavelmente, ir nos lugares, enviar cartas, criar petições, lutar por pontes. Crianças devem ser incluídas e não só colocadas em cantinhos nos Shoppings.

Esse é o projeto do #1anosemshopping, que está sendo narrado no nosso perfil no Instagram, o @aventurinhas.

DICA: Na mochila nós costumamos levar uma garrafa com água, suco, bolo caseiro, uns lanches, biscoitinhos e frutas para comer. Sempre ter protetor solar, chapéu, repelente e telefones de emergência fora do celular. Uso uma ergomochila para andar com mais segurança pela cidade com a Helena, então recomendo fortemente sling, mochilas ou outras opções de levar crianças/bebês amarrados ao corpo. Assim elas podem dormir um pouco durante o passeio e você também pode descansar.

Segue nossa lista <3

10258303_1016603828375038_4410590686941013134_o1. MASP – Museu de Arte Moderna de São Paulo 

O MASP fica no centro da Avenida Paulista, com uma arquitetura incrível, só ficar ali sentado no famoso “Vão” ouvindo a cidade enquanto olha a paisagem já é uma baita aventura. É um dos meus lugares preferidos na cidade porque além de ser muito organizado e acolhedor, é comum você ver famílias e turmas de crianças reunidas em vários lugares do Museu conversando, fazendo barulho e rindo. As exposições costumam durar bastante tempo, então tem como acompanhar no site e fazer uma programação bacana em vários outros pontos da cidade.
Nossa dica é ir com paciência e se ater nas várias possibilidades que o local proporciona. Com muitos lugares para sentar e uma vista muito bonita das paredes de vidro, você pode ficar ali curtindo um tempo com as crianças enquanto dialoga sobre as impressões das exposições.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? É só descer no Trianon-Masp, linha verde do metrô.
Quanto é? Você tem algumas opções:
Inteiro: R$ 25,00.
Terça-feira: entrada gratuita das 10h às 18h.
Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos de idade pagam R$ 12,00 (meia-entrada).
Funcionamento: Terça a domingo: das 10h às 18h.
Quinta-feira: das 10h às 20h.

IMG_20160117_1850442. Casa das Rosas

A Casa das Rosas é um dos lugares que sempre quis visitar, daí um dia fui sozinha, andei por lá, vi uma instalação sobre a obra de Kafka, sentei pelo jardim e pensei que não parecia tão legal assim. Daí outro dia fui com a Helena e ela ficou apaixonada pela casa, pelos lustres, móveis, janelas, jardim, tudo. A criança não queria sair dali. Então nós sentamos, abrimos a mochila, fizemos um lanche , brincamos, conversamos e tomamos o rumo para outro lugar. É um espaço para você ir com calma, para aproveitar toda a tranquilidade que mora naquele quadrado no meio da Avenida Paulista. Apreciar a arquitetura, os detalhes, ler do que é feita a parede, o quadro, tudo.  O jardim é pequeno, mas com rosas [como o nome sugere] e uma calma que contagia.

Também tem como acompanhar no site a programação deles, que incluí atividade para crianças com muita história e literatura.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? É só descer na Brigadeiro, linha verde do metrô.
Quanto é? Nada.
Funcionamento: Terça-feira a sábado, das 10h às 22h
Domingos e feriados, das 10h às 18h (passível de alteração, de acordo com a programação).

IMG_20160117_2145233. Paulista Aberta

Todo dia passo nessa Avenida para pegar o ônibus que irá me levar para o trabalho. Todo dia é uma surpresa, às vezes boa, às vezes tão cheia de questionamentos que passo horas na cama sem conseguir dormir. Provavelmente foi uma linha divisória, se na minha cidade era uma estranha, no meio de milhares de pessoas apressadas, naquele coração pulsante, era normal. Cabelos coloridos, pessoas de todos os tipos, apresentações, músicos tocando com o chapéu no chão, barraquinhas com artesanato, a Paulista Aberta é um grito pela ocupação da cidade. O mais divertido de ir com crianças é ver como toda essa diversidade, toda essa beleza é confortável para elas. Nós falamos com gente nova, acariciamos cachorrinhos que passeiam com seus donos, tomamos sorvete de graça, é uma grande festa ali, naquele lugar tão sério de segunda à sábado.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? É só descer em qualquer ponto de metrô entre Paraíso e Paulista, linha verde/amarela.
Quanto é? Nada.
Funcionamento: Todo domingo das 9h às 18h, com sol ou chuva.

IMG_20160118_1223284. Itaú Cultural – Coleção Brasiliana

Logo depois da Casa das Rosas, você vai ver um prédio branco cheio de coisas incríveis dentro. O Itaú Cultural tem uma das exposições mais lindas que já vi na vida: ela conta a história do Brasil com muitas ilustrações, livros, pontos de vista e história. Em um ambiente muito branco e minimalista, tem como apreciar com crianças a passagem do tempo quando os primeiros colonizadores chegaram nesse lugar tão vasto. Muitos vídeos, quadros, medalhas, moedas e itens que dão vida ao que estudamos tão mal nos livros, é uma visita obrigatória para qualquer pessoal, qualquer criança, qualquer um que queira sair de lá mais carregado de conhecimento.
Exposições variadas acontecem em outros andares, mas a Coleção Brasiliana é permanente e de fácil acesso.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? É só descer na Brigadeiro, linha verde do metrô.
Quanto é? Nada.
Funcionamento: Terça a sexta das 9h às 20h
Sábado e domingo das 11h às 20h – Nos feriados funciona das 11h às 20h.

IMG_20151102_1806015. Parque da Água Branca

Chamamos aqui em casa de Parque dos Galinhos, porque você vai encontrar muitas galinhas, galos e pintinhos espalhados pelas trilhas e caminhos. Cheio de lugares escondidos, parques com brinquedos de madeira, lagos cheios de peixes, muitas árvores, muitos lugares para sentar, e um espaço especial dedicado a leitura e shows para crianças, o Parque da Água Branca é nosso quintal na selva de pedra. Tem como levar uma toalha e fazer um lanche na sombra de uma árvore enorme, ou ainda aproveitar a feira de produtos orgânicos que acontece todo domingo, já comer um pedaço de bolo delicioso sem gastar mais que R$ 4,00.
Vá preparado com trocas de roupa, muito líquido e espírito para diversão.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? Descer no metrô Barra Funda na linha vermelha e andar alguns minutos, ou pegar um dos vários ônibus que passam na frente do Parque.
Quanto é? Nada.
Funcionamento: De segunda a segunda das 6h às 22h.

IMG_20160122_1633386. Parque Villa-Lobos

Provavelmente vai ser onde vamos comemorar o aniversário de três anos da Helena, porque além de ter uma ciclovia ótima para passeios, tem muitos quiosques e mesas para fazer um almoço, piquenique, lanche ou festa. É um daqueles parques cheios de animais, pessoas se exercitando, crianças correndo e um sol escaldante que exige um pouco de cuidado. Tem também o Orquidário pequenino, mas muito tranquilo e cheio de espécies lindas, e uma Biblioteca equipada com brinquedos, água, trocador, lugar para deitar e descansar.
É muito tranquilo ir depois do almoço e ficar até anoitecer, aproveitar todas as inúmeras atividades e brincar até a exaustão.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? Um pouco mais complexo, não tem nenhum metrô muito próximo, então é necessário procurar uma das várias linhas de ônibus que passam no local.
Quanto é? Nada.
Funcionamento: De segunda a segunda das 5h30 às 19h.

11224898_993487054020049_3861801256343135455_o7. SESC Pompéia 

Vou ser partidária porque amo esse lugar do fundo do meu coração. Foi o primeiro espaço que conhecemos na cidade, é onde comemos por um preço muito barato, podemos sentar e lanchar, ficar ali, aproveitar as exposições que acontecem, aulas, teatro infantil, brincadeiras, é outro lugar cheio de aventuras.
Todo mundo precisa conhecer.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? Um pouco mais complexo, não tem nenhum metrô muito próximo, então é necessário procurar uma das várias linhas de ônibus que passam no local.
Quanto é? Nada.
Funcionamento: De segunda a sábado das 9h às 22h.
Domingo das 9h às 20h.

IMG_20150821_1035088. A feira do seu bairro

Estranho, né? Descobri que todo bairro tem uma feira semanal em dias específicos. Geralmente ela começa bem cedo e termina depois do almoço. Lá sempre tem caldo de cana, pastel, frutas, verduras, gente gritando o preço da batata e banana, doces, flores, carnes, queijos, uma série de coisas num único lugar. Para nós se torna algo rotineiro, mas boas lembranças nascem na Feira. Como uma pessoa criada em uma cidade do interior, é com muito carinho que guardo minhas lembranças de descobri o nome de frutas e conversei com tanta gente diferente, descobrindo um outro mundo que acontece uma vez por semana [ou mais].
Vale a pena acordar mais cedo, andar por ali, experimentar as frutas, andar e conversar. Vale tanto quanto um passeio no Museu.

Para que idade?  Todas.
Como faço para chegar? Cada bairro tem uma, geralmente ocupa algumas ruas.
Quanto é? Nada.
Funcionamento: Cada bairro tem o seu dia.

Se tudo der certo, essa lista terá várias versões nas próximas semanas, mas deixe nos comentários as suas dicas e lugares preferidos 🙂

 

“Strong Is The New Pretty” mãe registra poderosas fotos de suas filhas

Kate Parker é uma mãe e fotógrafa de Atlanta, Georgia, e tem causado suspiros por aqui com seus ensaios fotográficos que mostram meninas em momentos descontraídos, fazendo o que amam, sem se importar com preconceito ou esteriótipos.

Suas duas filhas Ella e Alice, de 9 e 6 anos, são retratadas no ensaio “Strong is The New Pretty” com completa honestidade e sensibilidade.

“Eu queria que esta série de imagens mostrasse sua ousadia, sua força e a beleza em si, como são,” explica Kate.Minhas meninas sabem que elas são simplesmente perfeitas. Elas mesmas, aventureiras, frustradas, felizes, altas, atléticas, cruéis, engraçadas. Elas não precisam ter o cabelo arrumado, roupas combinando, ou até mesmo estarem limpas para serem amadas ou aceitas. Ser forte é o novo bonito.”

 

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Nós, dois computadores, um bebê e a decisão de trabalhar em casa

Se alguém chegar aqui em casa agora, vai me ver na mesa da cozinha digitando furiosamente e Marcelo na mesa dele, ilustrando ou em reunião. E muita gente acha estranho, mas é assim que trabalhamos. Não foi uma escolha fácil, na verdade, foi muito difícil escolher ficar em casa e seguir outro ritmo de trabalho. Dar adeus a segurança de um salário fixo, horas de trabalho por dia exatos, plano de saúde e todo final de semana livre.

Quando engravidei de Helena, estava trabalhando num shopping. Ficava mais de dez horas em pé por dia, trabalhava aos finais de semana, não conseguia escrever porque não me sentia bem e não tinha perspectiva de vida. Marcelo estava com a empresa dele de jogos, a TawStudio, e estava tudo bem. Eles tinham terminado de publicar um novo jogo e estavam repaginando o primeiro título, existia grande satisfação, mas não muito dinheiro.

Talvez, antes de mais nada, seja importante ressaltar que se você for trabalhar na área criativa no Brasil, irá encontrar algumas pedras enormes no meio do caminho. Primeiro, as pessoas não vêem ilustrador, escritor, resenhista e por aí vai, como alguém que trabalha. Foram inúmeras as vezes que disse o que fazia e ouvi um “ah, que bacana, agora me fala: você trabalha em quê?”. Eles estão acostumados na minha região a encarar engenheiro, administrador, médico e comerciante como algo sério, o que fazemos é uma extensão da adolescência. Não é permitido sonhar, apenas pagar.

Mas quando chega um bebê nós nos vemos frente a frente com um problema normal na vida adulta: dinheiro. Nós não tínhamos nada e em 5 meses tínhamos um aluguel, móveis, contas e uma sequência de coisas que nunca nos pertenceu totalmente. Só fui descobrir quão caro era uma compra mensal de alimentos quando tive que comparar o preço do arroz. Era absurdo!

E nessa época eu estava desempregada, havia saído daquele trabalho por alguns abusos quando descobriram minha gravidez e Marcelo começou a dar aulas, fazer freelas, o que fosse, nós tínhamos que conseguir x valor no fim do mês ou ia faltar algo.

Muitas pessoas que eu conheço passam por isso sem filhos, já que esses chegam depois que tudo está estabilizado, mas infelizmente nem tudo segue nossos planos e a gravidez acontece quando menos esperamos para muitas pessoas. Então, nós tentamos fazer o melhor com o que tínhamos.

Nesse dia Helena não tinha parado de mamar e chorar a madrugada inteira. De  tarde eu dormi e Marcelo ficou com ela - trabalhando.

Nesse dia Helena não tinha parado de mamar e chorar a madrugada inteira. De tarde eu dormi e Marcelo ficou com ela – trabalhando.

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Como o feminismo transformou minha forma de viver a maternidade

Faz algumas semanas que um amigo me chamou para fazer uma crítica construtiva ao meu comportamento nas redes sociais; segundo ele, estava muito chata, radical, parecia que havia me tornado uma feminazi, um apelido dado às feministas radicais por pessoas que visivelmente não entendem o que é o nazismo e o movimento feminista.

Acontece amigo, que você está correto, apesar de não ser nem de longe radical, sou feminista sim.

E é normal ouvir que você está sendo chata quando está lutando por seus direitos. O machismo é tão normalizado, tão cotidiano para todos, que quando você começa a apontar os erros, falhas e a discutir velhos comportamentos, isso incomoda.
Incomoda porque quando alguém diz que seu comportamento é machista e preconceituoso, você não só está sendo informado de algo novo, como está sendo convidado a pensar se vai continuar perpetuando este sistema. Muitos escolhem que sim, vão perpetuar ou fingir que não existe, mas uma parcela cada vez maior tem feito o caminho inverso: voltar à raiz e discutir como estamos vivendo.

E este foi o meu caso, porque não faz muito tempo que a falta de informação me fazia acreditar que estava tudo bem sobre como fui e sou tratada. Realmente acreditava que existia mulher machista, como se ela não fosse vítima de um sistema que transformou o horror numa realidade comum, aceitável.

Quando comecei a me questionar sobre o meu papel na sociedade como mulher, em seguida veio as perguntas sobre a maternidade.
E a primeira grande dor foi admitir que o que aconteceu comigo e minha filha foi errado. Foi uma violência. Que a culpa não foi minha.

Engravidei aos 15 anos de idade da minha primeira filha, Laura. Depois da recusa de minha família, fui morar com meu noivo e mantive um medo de ir para a escola. Evitei ao máximo, até que minha barriga ficou visível. Foram nove meses de vergonha, humilhação e reprovação.
Tinha medo de sair na rua sozinha e as pessoas acreditarem que era mãe solteira, uma promíscua. O estresse foi tanto que foram inúmeras as vezes que fui ao hospital passando mal, tendo que tomar remédios para dormir.

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10 desenhos infantis inteligentes e que promovem a igualdade

Helena tem um ano e oito meses, um bebê, então ainda não vivo naquela linha do pavor que muitos pais se encontram lá pelos 3 anos de idade: o amor pelos desenhos e filmes. Ela gosta muito, dança, espera, é fofo de se ver, mas ainda não chegamos ao ponto dela pedir produtos da franquia ou querer ver X coisa em Y momento.

Não acredito que TV, tablet e celular são os vilões, acho que com parcimônia são benéficos, na verdade. Meu problema está no conteúdo. Porque produzem material tão ruim para crianças?? Como pessoas que trabalham com o público infantil podem caracteriza-los com tão baixa expectativa? Crianças merecem conteúdo de qualidade. Desenhos e filmes igualitários, longe de sexismo, que desenvolvam a criatividade e relações positivas.

Precisamos mudar a forma como crianças consomem desenhos, porque se os adultos de hoje estão criando o mundo azul e rosa que acreditam ser correto: para tudo! Muda tudo!

Pensando nisso, fiz uma lista de 10 desenhos que procurei muito sobre e vemos aqui em casa. Muitos são disponibilizados no Youtube [ <3 ] e no Netflix, que aliás, é a melhor coisa que você vai contratar na vida.

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Todo mundo é boa mãe até ter filhos

Cena clássica de shopping: você está andando com as pernas bem torneadas que Deus te deu, quando se depara com a cena lastimável da instituição falida que é a família. A mãe está meio descontrolada, aparentando sinais contundentes de choque por terror, o pai olha para os lados, buscando um possível olhar de repulsa ou quem sabe a resposta para como educar aquele pequeno ser. Por fim, o óbvio, o horror, aquilo que seu olhar se distanciou no primeiro momento por instinto de preservação: a criança jogada no chão, roxa, babando, com o pescoço virado no melhor estilo Exorcista. Geralmente está gritando “Eu quero” ou “Não, não vou”.

E tu, um ser centrado, maduro, no completo controle de sua vida pensa [e um dia irá verbalizar] “Nossa, meu filho jamais fará isso!” ou quem sabe “Isso é falta de pulso filme”.

Te digo uma coisa caro leitor, o único punho que conhecerás será o da vida, regiamente plantado entre sua raiz capilar e nariz.

Sim, já pensei isso. Sim, já verbalizei. Sim, adorava tirar vantagem das situações onde mães passavam por isso, era uma forma de me autoafirmar como a ótima mãe que seria. Mas o tempo passa, aquele lindo bebê que você achava que dava trabalho descobre que limite existe. E ele existe para ser arduamente testado. Exaustivamente flexionado. Integralmente esmurrado para dentro da sua realidade.

Todos sabem que junto com o Boi Tatá, Cuca e Saci Pererê, as crianças povoam o folclore brasileiro no papel de aterrorizar. A criança do shopping poderia ser tema de filme de terror, porque é isso que somos ensinados desde cedo: crianças são o terror. Ou melhor, não tenha filhos! Choro, gastos exorbitantes de dinheiro, peito rachado, parto traumático, casamento falido… Filhos é o oposto de sucesso profissional, financeiro e pessoal.

Hoje em dia, sempre que vejo essa cena, minha vontade é ir até a mãe, abraça-la e chorar junto “Eu sei, querida, dá vontade de pular da janela… Mas olha… Isso… Chora… Solta essa angústia… Eu sei, também já fui aquela moça ali da esquina da loja de sapatos”.

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Sofia fica com o pai – Porque ser mãe não é possuir os filhos

Quando decidi romper um relacionamento de quase oito anos veio o principal questionamento: E a Sofia? Minha filha já tinha seis anos e nunca viveu longe dos pais, tinha casa, quintal, cachorro e bicicleta. Sempre foi uma garota feliz, comunicativa e ativa.

Após a separação, não tinha condições de assumir a responsabilidade pelos cuidados dela, não ganhava o suficiente nem mesmo para me sustentar, quiçá a uma criança em pleno crescimento. Trabalhava em horário comercial e ela estudava meio período.

Ainda não concluí a faculdade, então constantemente não poderia estar com ela à noite para poder terminar meus estudos. Além disso, o que pesou muito, veio o principal: o relacionamento da Sofia com o pai era maravilhoso, ela era simplesmente apaixonada por ele e ele por ela. Ele sempre foi um pai dedicado e presente, modelo qual eu ficaria contente em ver todo homem seguir. Era presente na escola, acompanhava o desenvolvimento dela em todos os aspectos, era tão mãe quanto eu, se não mais.

Nós dois desempenhávamos o mesmo papel na educação dela, éramos presentes de modo igual e a amávamos na mesma intensidade. Ele trabalhava em casa e já cuidava dela sozinho nos momentos em que eu não podia estar.

A decisão da separação partiu de mim, e senti que era no minimo cruel se, além de tudo, e conhecendo as possibilidades de cada um como conhecia, eu a afastasse dele.

Entre análises e choros veio a decisão: Sofia fica com o pai.

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Porque ter filhos num mundo como o nosso

Eu tenho medo de dormir.

E esse é um fato que não costumo contar à milhares de pessoas, porque aqueles que deitam a cabeça no travesseiro e dormem profundamente dificilmente conseguem compreender o que é o pavor de quando seus olhos começam a fechar de exaustão. Esse medo foi cultivado por umas série de acontecimentos e um deles foi a morte da minha primeira filha.

Quando cheguei no velório, no dia 10 de dezembro de 2008, expulsei toda as pessoas da sala por alguns minutos. Não havia pego minha filha no colo viva e aqueles seriam meus últimos instantes com ela. Tudo havia sido causado por uma série de descaso e violência e jurei que nunca mais iria engravidar. Não queria ter filhos num mundo com pessoas tão podres.

Não queria perpetuar uma espécie que mata e tortura pela cor, idade, opção sexual, religião ou pelo simples fato de não concordar com algo.

E vivi assim durante quatro anos, até que um dia o exame de sangue apontou que estava grávida. Isso aconteceu no dia 13 de dezembro de 2012 e entrei em pânico. E sim, havia a possibilidade de poder não seguir à diante com a gestação, mas a decisão de continuar não foi baseada em nenhum aspecto religioso ou moral, foi unicamente pela convicção de que ali morava a chance de um mundo melhor.

Constantemente me pego olhando Helena dormir, com um pavor crescente na garganta. Ainda pequena, com um ano e meio, ela sempre pega alguma bolsa e “tchau mãe”. Saí andando e acenando com a mão, até virar a esquina do corredor e voltar correndo. Um dia minha filha dirá isso e não voltará, irá viver a vida com sua dose de alegrias e tristezas.

Não posso garantir que jamais irá se machucar ou que um dia não irá derramar lágrimas amargas, mas tenho certeza que irá ver um pôr do sol no fim de julho de arrancar suspiros, sei que irá amar alguém com todas as forças e torço todos os dias para que consiga lhe passar o que é empatia.

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De onde nascem as mães

Quando criança meus pais me explicaram primeiramente que uma cegonha tinha me deixado em casa. Parece absurdo, mas essa foi a explicação que tive durante um tempo. Logo depois, enquanto esperava meu pediatra, havia na parede um quadro de um lindo bebê usando uma faixa florida na cabeça, saindo de um lindo e gigante repolho. Claro que questionei aquilo e novamente me foi dada outra explicação para de onde vêm os bebês: repolhos.

Demorou mais alguns anos até a explicação da sementinha que fica no útero da mamãe encontrar a semente que vem do papai e até esse dia chegar a certeza era de que repolhos eram mágicos. E por mais tempo ainda, até Helena nascer, achei que a frase de que quando nasce um bebê, nasce uma mãe, era a coisa mais linda do mundo. Até que também notei a falha nessa lógica que coloca mulheres como seres super preparados para a maternidade. Só que não.

Quem nunca viu um quadro de mães com cabelos lustrosos, exímias donas de casa, mães aplicadas, profissionais charmosas e que ainda dormem com o rosto hidratado e cútis impecável. Tais mulheres certamente saíram daquele mesmo repolho mágico e estão nos mesmos livros que os lindos unicórnios, porque nunca vi alguém assim e tenho medo de encontrar na fila do pão.

Helena nasceu numa noite fria e de chuva e enquanto esperava ela no quarto do hospital fui ficando em choque. Quando finalmente vi aquele bebê pequeno, comendo o próprio cobertor e completamente sem jeito, levei-a ao peito para se alimentar. Naquela primeira fisgada de dor da amamentação, soube que não estava nascendo com ela nenhuma mãe e que seria um longo caminho de autoconhecimento.

Apesar de toda alegria e felicidade, não vi ali um momento rosa como em tantos textos li. Vi semanas de superação, de dor, de desafios, noites sem dormir, dias se adaptando e com isso o amor que já estava ali, cresceu, ganhou força e me fez mãe.

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