Author: Micaela Garcia

Eu – Feminista

Nós, pais e mães, temos preocupações em comum, e algumas preocupações bem diferentes um do outro e isso se refere a diferenças de valores socioculturais.

Não recebemos a mesma educação e não somos iguais, então é natural que alguns medos e preocupações se manifestem de modo particular em cada um.

Sou mãe de uma menina de quase sete anos e me preocupo mais com sua formação moral e ética, para consigo e com os outros, do que o modo como se senta, come, fala ou se gosta mais de bolo que de frutas. Não que eu permita que ela se comporte como um filhote de Neanderthal, ou que pense que essa e somente essa é a preocupação de outras mães. Mas já vi muita gente mais preocupada em escolher o sapato que a criança vai usar no dia do que com a forma que ela responde a avó quando leva um puxão de orelha. Já vi pais que acham lindo a criança falar palavrão ou mostrar o dedo do meio e que assistem sem o menor pudor à novela das nove com a criança do lado e estimulam os pequenos a buscar suas latas de cerveja na geladeira. Mães que chamam suas filhas para ajudar na arrumação da casa enquanto o marido e filho assistem futebol e jogam vídeo-game.

Minha filha sempre me viu trabalhar, estudar, me divertir, brigar e pedir desculpas. Foi ao meu trabalho diversas vezes, me acompanhou à faculdade, foi em shows comigo (próprios pra sua idade, logicamente), brigamos e várias vezes eu pedi desculpas à ela por ter me excedido em alguma bronca. Enquanto ela ainda morava comigo, no post Sofia fica com o pai trato um pouco sobre nossa separação, eu lia pra ela sempre na hora de dormir e as vezes inventávamos histórias juntas. E ela fez as mesmas coisas com o pai.

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Vacinar ou não vacinar? Eis a questão

Além de outras séries de ocupações, sou formanda em história  e apaixonada por antropologia, e por vezes quando me deparo com uma publicação polêmica na internet leio comentários relacionados à ela, para tentar entender um pouco a reação das pessoas e as opiniões que elas expressam diante da falsa sensação de anonimato que a internet nos promove, afinal estamos cada um no seu dispositivo, seja computador, tablet ou celular e nada daquilo pode nos atingir, ledo engano, mas isso é assunto pra outro post.

O caso é que ontem me deparei com uma publicação no perfil do Facebook do Ministério da Saúde onde o órgão divulgava a campanha de vacinação do HPV para meninas entre 9 e 13 anos de idade. Os comentários referentes à publicação me deixaram perplexa.  Algumas mães consideram que a vacina é um incentivo para que as meninas iniciem precocemente sua vida sexual, ou ainda que a mesma não é segura e pode provocar danos à saúde de suas filhas e que incentiva mulheres a não se protegerem durantes as relações sexuais que elas nem deveriam pensar em ter nessa idade.

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Sofia fica com o pai – Porque ser mãe não é possuir os filhos

Quando decidi romper um relacionamento de quase oito anos veio o principal questionamento: E a Sofia? Minha filha já tinha seis anos e nunca viveu longe dos pais, tinha casa, quintal, cachorro e bicicleta. Sempre foi uma garota feliz, comunicativa e ativa.

Após a separação, não tinha condições de assumir a responsabilidade pelos cuidados dela, não ganhava o suficiente nem mesmo para me sustentar, quiçá a uma criança em pleno crescimento. Trabalhava em horário comercial e ela estudava meio período.

Ainda não concluí a faculdade, então constantemente não poderia estar com ela à noite para poder terminar meus estudos. Além disso, o que pesou muito, veio o principal: o relacionamento da Sofia com o pai era maravilhoso, ela era simplesmente apaixonada por ele e ele por ela. Ele sempre foi um pai dedicado e presente, modelo qual eu ficaria contente em ver todo homem seguir. Era presente na escola, acompanhava o desenvolvimento dela em todos os aspectos, era tão mãe quanto eu, se não mais.

Nós dois desempenhávamos o mesmo papel na educação dela, éramos presentes de modo igual e a amávamos na mesma intensidade. Ele trabalhava em casa e já cuidava dela sozinho nos momentos em que eu não podia estar.

A decisão da separação partiu de mim, e senti que era no minimo cruel se, além de tudo, e conhecendo as possibilidades de cada um como conhecia, eu a afastasse dele.

Entre análises e choros veio a decisão: Sofia fica com o pai.

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