Estava procurando imagens para orçamentos, quando encontrei a pasta do Batismo da Helena. E lembrei que poucos minutos antes de uma linda fotografia eu me escondi no banheiro da nossa antiga kitnet e chorei por cinco minutos. Retoquei a maquiagem e saí, pronta para tudo. Fazia três meses que não dormia. Três longos, exaustivos, desafiantes e intensos meses. Não sabia que seria bem mais, daqui a pouco faz dois anos que passo noites em claro, e sim, já chorei muito dentro de banheiros. Na cozinha, na sala, fora de casa, durante o trabalho, onde for. Chorei e continuarei chorando.

Não foi fácil aprender a amamentar, nem aprender a trocar fralda, com medo de fazer algo errado, a controlar o desespero, a aceitar ajuda e minha condição: uma jovem que está aprendendo a ser mãe. É difícil admitir que estamos fazendo algo que não temos a mínima noção de como proceder. Não importa a idade ou condição: toda mãe de primeira viagem já sentiu aquele desespero do “E agora?”.

Bebê não vem com manual e nem mãe com selo de garantia comprovando perícia. Se eu pudesse encontrar essa Paola na esquina, num dia qualquer, diria para ela ir com calma. Tá tudo bem dormir até tarde, tá tudo lindo se a casa está suja. O pai não ajuda, o pai cria. Não desmereça ou iniba o papel dele. Deixa o pai agir, a responsabilidade jamais será só sua. Vou repetir: a responsabilidade não é só sua.

Não ligue quando falarem que você devia fazer isso e aquilo, faz exatamente o que você acredita que é certo. Se sentir dúvida: pergunte. Se um dia te contarem que falaram de você em alguma mesa de cozinha da vida, fica tranquila, empatia é algo que a gente espalha de dentro para fora, e nem todo mundo tem isso ainda. Respire fundo, um dia isso não vai ter um terço da importância que um dia teve.

Não se ressinta por todas as coisas que você não fez, fique orgulhosa das coisas que você teimou, brigou e construiu. Um monte de gente tenta ajudar, mas na falta de saber como, acaba às vezes sendo ofensivo. Escolha suas lutas, porque não colocar fôlego em coisas desnecessárias também é uma forma de combate.

Ser mãe não é padecer no Paraíso – e quem fala isso pode ir lá padecer sozinho. Ser mãe é dizer não, chega, basta, não quero, não vou, vai embora. Chore, grite, gargalhe, coloque para fora. Respeite quem você é: esse é um exemplo que você vai querer passar para frente.

Quando você contar algo para alguém e essa pessoa te retornar com o famoso: “Passei/um monte de gente passou por isso e não morreu”, desqualifique. Eu sei que dói, que está difícil, que tem dias que dá vontade de sair gritando. Sabe, cada um sabe onde dói mais, e só você sabe onde está sendo mais difícil. Não é drama ou frescura. Jamais se sinta diminuída por falar o que você sente, apenas diminua suas expectativas sobre o que vai ouvir.

Não acredite em médicos sempre, não acredite jamais em comerciais. Acredite no poder do seu corpo, na força do seu espírito. E mais do que tudo: não é porque você é mãe que tem que abrir mão da mulher que você é. Continue sonhando, estudando, procurando e aprendendo. Você ainda é quem sempre foi. Sua vida não se resume à maternidade. Você tem pleno direito de decidir pelo o que te faz bem antes de tudo: ninguém devia ser criado por uma mãe infeliz.

E nunca é tarde para mudar. Jamais. Toda hora é hora.

É verdade, o tempo passa rápido, então aproveite loucamente.
As lindas fotografias do Facebook não demonstram que a maternidade é sempre linda, porque definitivamente não é, mas é sobre os bons momentos que chegam depois da tormenta [acredito].

Aquele foi um ótimo dia.
Tem sido dois lindos e maravilhosos anos.