Morei por quase vinte anos no interior de São Paulo, uma idílica e voraz cidade chamada Pindamonhangaba. Aqui vivemos entre a Serra da Mantiqueira, regida por sua própria lei com turismo e o desenvolvimento rural e o Vale do Paraíba, banhado pelo rio do mesmo nome onde quilômetros de empresas e indústrias se instalaram trazendo o progresso tecnológico para a região.

Vivendo entre dois extremos descobrimos que qualidade de vida é um conceito mais pessoal do que vende as revistas de comportamento e estilo de vida. Com um filho os desafios de conseguir perceber o limite entre o novo e aquilo que deve ser preservado ganha uma nova prioridade.

Moramos dois anos em Santo Antônio do Pinhal, uma cidade com seis mil habitantes e um ritmo que sempre abre espaço para uma soneca depois do almoço. Foi bom? Foi. Estávamos no melhor lugar para criar nossa filha e o pior lugar para a nossa area profissional. Ali, entre árvores e computadores, descobrimos que é necessário equilíbrio. Para nós aquilo não funcionava. Foram os melhores e piores dias da minha vida, vivia entre a alegria do verde e o desespero de me sentir ilhada.

E acho que muito pais, jovens, famílias, pessoas de todas as idades e gostos em algum momento encontram essa questão no meio do caminho: onde mora a qualidade de vida?

Será que ela é não pegar trânsito ou trabalhar com  o que se ama? Será que ela mora em ganhar o suficiente para uma vida com luxos ou em dias ensolarados no meio do mato?

Desde que Helena nasceu estamos vivendo essas questões como jovens profissionais da área artística e comunicação, vivemos entre o chamado dos prédios e a esperança de uma vida que não talhe o contato de nossa filha para aquilo que vale a pena. Continuamos acreditando que qualidade de vida é onde te faz bem. Te rasga sorrisos.

E no meio de tantas escolhas e controvérsias pensei em criar uma coluna no blog que dê dicas de lugares, iniciativas, pessoas e caminhos para famílias que querem algo mais do que Shoppings, trânsito, vida online e tecnologia. Na selva verde ou de pedra, queremos realmente instigar pais e familiares a questionar se estamos ocupando nossa cidade ou só habitando superficialmente.

Quando temos filhos e nos vemos no meio de um milhão de contas e responsabilidades é natural ir esquecendo de pensar sobre para onde isso está nos levando. Será que é um bom caminho? O que fazer no domingo de tarde? O que fazer para ensinar nossos filhos que buscar qualidade de vida é uma escolha que não depende apenas de onde moramos ou o que fazemos, mas a insistente persistência e esperança de dias mais ensolarados e felizes.

A configuração será: Toda quarta-feira iremos soltar aqui no blog uma programação/lista ou algum review de eventos pelo Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira ou Capital. Lugares que você pode ir de ônibus ou metrô com crianças, gatos, cachorros, lebres, sonhos, para relaxar ou agregar, para sair do querido programa atual: shopping.

Nada contra, mas precisamos explorar mais, ter contato com vitamina D e boas iniciativas.

Para indicar eventos, inciativas, pessoas, por favor, entre em contato conosco pelo [email protected] ou pode enviar uma mensagem direta pela caixa abaixo 🙂