Month: maio 2015

7 títulos para jogar em família sobre a força e magia da natureza

“A primeira vez que minha filha tentou alcançar o computador no qual trabalhava um apito tocou de forma ensurdecedora em minha mente. Assim como toda mãe, já havia lido os zilhões de estudos que comprovam os malefícios de aparelhos eletrônicos na vida de crianças, mas como profissional do ramo, sabia do outro lado da moeda. Então me vi ali, na linha entre dois extremos, perdida, porque agora era a minha filha, não um estudo de Harvard.

Essa condição de ver tudo do muro me deu uma perspectiva que se baseia em tudo que vi de fantástico na tecnologia, que aliás, fez você ler o que estou escrevendo agora e tudo que sim, pode causar severos problemas.

Mídias interativas, principalmente jogos, são usados em hospitais especializados em autismo e atualmente um jogo brasileiro criado para autistas ganhou o prêmio Cidadania Mundial no concurso Imagine Cup 2014, promovido anualmente pela Microsoft. O Can Game usa de uma mecânica simples para ajudar na avaliação médica de seus pacientes, já que cada resposta ou reação do jogador gera um relatório que é enviado para o profissional competente. Tal como o nome, é um jogo que mostra possibilidades positivas num mundo que pode usar – e usa – tecnologia como algo não só benéfico, mas absolutamente incrível.

Jogos também já são usados como auxílio do empoderamento por parte do aluno e como suporte educacional. O Gamification, termo usado para descrever esse fenômeno, não substituí o professor ou a interação social necessária em sala de aula, é apenas mais uma ferramenta para agregar pontes entre o conhecimento, interesse e reflexão de forma divertida para aquela criança que tem enraizada em si que escola é chata, porque afinal, fomos ensinados assim.

E eu poderia continuar linkando, explicando e mostrando tudo que vejo todo dia, tudo que quero ajudar a desenvolver tanto na educação como nas relações sociais usando a tecnologia, mas isso de nada resulta de forma prática. Para cada artigo positivo para esse assunto, existe outro que mostra porque devemos proibir, inibir ou repudiar o uso de tecnologia para crianças, e até mesmo adolescentes. E também acredito neles, não desqualifico – mais que isso, tento aprender onde moram os limites.”

Essa é a introdução de um texto que fiz para o Movimento Infância Livre de Consumismo em 2014. Tais questões permeiam nossa rotina, já que Helena tem um pai que desenvolve jogos e trabalha com ilustração digital e uma mãe que vive de internet. Pensando nos benefícios, fizemos uma lista de jogos que dialogam sobre a natureza, seja com sua fauna, flora e poderes mágicos.

Todos os jogos aqui recomendados PRECISAM de supervisão de um adulto, seja pela dificuldade, quanto pela interação entre adulto e criança. São jogos que divertem toda a família, com desafios e narrativas completamente diferentes.

Chamamos aqui vocês, pais, tios, família e amigos, para participar da brincadeira. Pegue o controle e aperte o Play.

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Um ano sem Shopping. Será possível?

Morei por quase vinte anos no interior de São Paulo, uma idílica e voraz cidade chamada Pindamonhangaba. Aqui vivemos entre a Serra da Mantiqueira, regida por sua própria lei com turismo e o desenvolvimento rural e o Vale do Paraíba, banhado pelo rio do mesmo nome onde quilômetros de empresas e indústrias se instalaram trazendo o progresso tecnológico para a região.

Vivendo entre dois extremos descobrimos que qualidade de vida é um conceito mais pessoal do que vende as revistas de comportamento e estilo de vida. Com um filho os desafios de conseguir perceber o limite entre o novo e aquilo que deve ser preservado ganha uma nova prioridade.

Moramos dois anos em Santo Antônio do Pinhal, uma cidade com seis mil habitantes e um ritmo que sempre abre espaço para uma soneca depois do almoço. Foi bom? Foi. Estávamos no melhor lugar para criar nossa filha e o pior lugar para a nossa area profissional. Ali, entre árvores e computadores, descobrimos que é necessário equilíbrio. Para nós aquilo não funcionava. Foram os melhores e piores dias da minha vida, vivia entre a alegria do verde e o desespero de me sentir ilhada.

E acho que muito pais, jovens, famílias, pessoas de todas as idades e gostos em algum momento encontram essa questão no meio do caminho: onde mora a qualidade de vida?

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11 livros para dialogar sobre antropologia e história com adolescentes

Minha filha não é adolescente, é um bebê ainda, mas a adolescente que já fui reencarna novamente para escrever esse texto. Com 5 anos ganhei meu cartão da Biblioteca Municipal e aquilo marcou minha existência, já que desde então leio semanalmente e de forma compulsiva.

A literatura infantil e infatojuvenil, junto com ficção científica e biografias, configura o lugar mais nobre na minha cadeia alimentar literária e acho, de forma intransferível, que o que me salvou foi isso. Minha adolescência foi permeada de abusos e bullying, me vi inúmeras vezes sentada no chão do banheiro chorando em silêncio, sem saber porque aquilo estava acontecendo; e foi provavelmente a época em que mais li na vida, porque por horas o mundo em que habitava não era esse que me aterrorizava, mas um lugar onde existia magia, sonhos, possibilidades e superação.

Foi assim que comecei a buscar cada vez mais informação, com livros que não falavam de história ou antropologia de forma científica, mas inseriam o tema de forma sútil, instigante. Quando percebi, estava lendo sobre política e comportamento animal para desvendar algumas facetas da nossa raça. Assim nasceu meu amor por história e antropologia: da ficção.

Nós, desse lado do oceano, não vivemos uma Guerra Mundial, mas vivemos outros horrores, e por vezes nenhum e nem outro é abordado. Quando descobrimos mais sobre a história do nosso povo, de outros povos e de hábitos diversos de várias civilizações, podemos expandir nossa percepção, principalmente numa fase da vida que promove tantos encontros com coisas novas. Vamos garantir que essas coisas resultem em algo positivo.

Essa lista foi a sugestão de uma leitora que queria fazer o filho mais novo, 13 anos, entender como é a vida da porta do quarto para fora. Ela disse que fica preocupada com a política atual e queria que seu filho soubesse mais sobre a história do nosso país, sobre o comportamento em outros lugares do mundo, sobre o que faz com que a civilização se mantenha como está e porque mudar. Só que como incentivar isso além das leituras obrigatórios do vestibular [que geralmente são bem chatas]? Querida, está é para você 🙂

Essa é uma seleção de livros que não estão na lista de leitura das escolas, mas falam sobre o mundo e seus nuances.

Gostaríamos de agradecer a todos os leitores antes da lista seguir. Nossa coluna de #conteúdodequalidade tem batido números incríveis e isso nos dá certeza que estamos fazendo um bom trabalho. Obrigada <3

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