7 livros infantis para discutir estereótipos em contos de fadas

1Nada, nada, me incomoda mais que o velho formato das histórias infantis. Apesar de ter crescido com as produções da Disney, Branca de Neve deixou de me convencer lá pelos quinze anos, quando percebi que a fórmula criava ideais e ilusões equivocadas sobre como visualizamos o amor romântico e as interações sociais.

Como uma das metas dos textos sobre conteúdo literário e audiovisual para crianças é estabelecer uma crítica ao que está sendo produzido para nossos filhos, não consegui me isentar de abrir o diálogo sobre os contos de fadas. Pequenas histórias de Princesas trancadas em castelos, que anseiam encontrar a a salvação por seu Príncipe. Sempre delicadas, brancas, fofas e indefesas.

Não é de todo ruim, muitos deles discutem assuntos como bondade, humildade e tolerância, mas com uma velha fórmula que cria esteriótipos perigosos. Mais uma vez vou repetir a indicação do meu TED preferido até agora, onde a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, fala sobre como pode ser prejudicial a história única, onde somos apresentados a uma única versão dos fatos, geralmente por um telespectador que não possuí conhecimento de causa, e termina por gerar esteriótipos perigosos.

Então declaro a inauguração informal da série de listas que exigem #conteúdodequalidade, porque nossas crianças merecem mais. Merecem diversidade, exemplos positivos e uma fonte de entretenimento comprometido com a qualidade, não o silêncio. Merecem menos abuso da publicidade infantil, menos sorrisos e filosofias que escondem o interesse de quantificar e vender a infância.

Então a nova lista vai ser sobre dicas de livros infantis que quebrem esse esteriótipo ou insiram a discussão sobre os velho molde dos contos de fadas, tanto para os pais, quanto para os filhos.

21. A pior Princesa do mundo

Esse livro é o meu amor. Não só porque ele é lindo, tem uma arte incrível e um jeito de narrar a história de nossa Princesa de forma leve e divertida, mas principalmente porque Helena ganhou ele de um casal de amigos muito queridos. Eles não sabiam, mas quem precisava ler essa história era a mãe.

A história é da fantástica Anna Kemp, que tem mais dois livros publicados, e a arte pertence a Sara Ogilve,  uma ilustradora com um estilo lindo, tendo também sido a responsável pela arte do livro My mother is a Troll. A narrativa usa de rimas e conversas inteligentes, sendo um dos poucos livros infantis que li que usa essa fórmula com muita precisão.

O livo nos conta a história de Soninha, uma princesa que tem aguardado impacientemente sua vez nos Contos de Fadas; até que um dia ela finalmente se cansa e decide  optar por uma vida com mais aventura. Vai viver de forma radical, até que encontra numa das esquinas da vida o superestimado Príncipe Encantado, só  para perceber que ele não passa de um bobão. No fim, Soninha continua suas aventuras, não com o Príncipe, mas com o Dragão! I.S.B.N.9788577532483

32. Pretinha de Neve e os sete gigantes

“Tacho de cobre, tacho de cobre, existe alguma menina mais solitária do que eu?” Escrito por Rubem Filho, esse é um daqueles livros infantis que não só desconstrói personagens que estão enraizados na nossa história, como também faz uma releitura da fórmula antiga dos contos dos fadas, trazendo elementos que valorizam a cultura africana e a reflexão sobre solidão e coragem. A arte é muito boa, cheia de elementos originais e cores vivas.

A história narra as aventuras de Pretinha, que mora no Monte Kilimanjaro, situado no norte da Tanzânia. Lá faz muito, muito frio, soterrando seus habitantes em neve. Sim! Neva na África, gente. A mãe de Pretinha se tornou viúva e se casou com um Rei muito do chato, que só quer saber de doces, deixando a menina completamente sozinha. Um dia, em meio a solidão, ela pergunta para o Tacho mágico se existe alguém mais solitária do que ela, e assim começa a aventura. Decidida a não se sentir mais assim, Pretinha foge do Castelo, onde irá encontrar situações inusitadas e sete gigantes, não anões.

ISBN: 978-85-356-3440-2

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3. Uma Chapeuzinho Vermelho

Imagine a história assim: Chapeuzinho Vermelho está lá, feliz da vida, andando pela floresta. Daí ela encontra o Lobo, aquele que apavorou tantas crianças e ensinou de forma meio atrapalhada que não devemos falar com estranhos; quando tudo começa. Você pensa: mesma história batida. Mas é aí que nossa Chapeuzinho dá um olé na vida, no leitor e no Lobo, sendo uma menina curiosa, ousada e muito esperta.

O livro é fofo. As ilustrações parecem que foram feitas por uma criança, o que sempre me deixa feliz, já que acontece aquela sintonia. A construção do enredo é muito bom, tendo sido escrito pela francesa Marjolaine Leray, autora de vários outros livros lindos. ISBN: 9788574065281

54. A Princesa e a Ervilha

Durante dez anos a autora Rachel Isadora percorreu países africanos para criar está adaptação do clássico de Hans Christian Andersen, que também ganhou sua versão da Disney em A Princesa e o Sapo.

E apesar de a história do dinamarquês me incomodar com a abordagem, a mensagem é realmente ótima: as pequenas coisas que nos incomodam, tiram o sono, importam e devem ser combatidas.

Nessa adaptação, temos nosso Príncipe africano em busca da verdadeira Princesa para se casar; e um dia, durante suas andanças, acaba por encontrar em sua porta uma moça que afirma ser uma Princesa, apesar de estar toda molhada da chuva e pouco apresentável. Para testa-la, é colocada uma ervilha por baixo de 24 colchões. No outro dia a Princesa é questionada se dormiu bem, e ela admite que na verdade dormiu mal, havia algo incomodando-a.

Todas as ilustrações coloridas e muito bem produzidas nos mostram animais, vestimentas e costumes africanos, quebrando o esteriótipo de Princesas loiras, pálidas e com vestidos que mais parecem glacê de bolo. ISBN: 9788562525599

65. Príncipe Cinderelo

“O Príncipe Cinderelo, nem parecia Príncipe! Era baixinho, sardento, magricelo e andava mulambento!”

Nosso Príncipe, na história da fantástica Babette Cole, tem três irmão peludos, enormes e que adoram uma boa festa. A fada é bem destrambelhada e com pouco apreço por higiene, e nas suas tentativas de enviar o Príncipe para a festa, acaba por transforma-lo num macaco enorme e peludo. E assim acontece a história, cheia de boas sacadas para a fórmula da Gata Borralheira.

Esse é o meu segundo livro preferido, porque ele brinca e desestrutura completamente o conto de fadas, colocando o Príncipe em situações inimagináveis, como ao invés de esquecer o sapatinho de cristal, esquecer a calça jeans surrada enquanto fugia da Princesa.

Babette Cole é uma das minhas escritoras preferidas e recomendo qualquer livro dela. Aliás, por mim fazia uma lista só dela e comprovava meu amor. ISBN:  8533612923

76. A Princesa Sabichona

Nossa Princesa não quer saber de marido, Príncipes, festas ou vestidos, ela só quer viver suas aventuras, discutir ideias e viver no Castelo com seus animais. Seria uma realidade justa, se o Rei e a Rainha não acreditassem que sua escolha fosse um tanto incomum, e desaconselhável; então, decidem apresentar os Príncipes, na esperança que nossa heroína, quem sabe, goste de algum.

Seria fácil, se essa Princesa não fosse um tanto mais que esperta e não desse tarefas impossíveis para a realeza que ousasse tentar desposa-la.

Mais uma obra incrível da escritora inglesa Babette Cole, que além de ser feminista, ensinam a todos que casamento é uma escolha, jamais uma imposição. E tudo bem querer viver com os gatos, jacarés e passarinhos! ISBN: 85-3360-920-5

87. A Princesa que queria ser Rei

Este é um livro que acredito, pois pesquisei muito, não ter sido publicado ainda no Brasil. Li num café na Avenida Paulista enquanto esperava o horário de uma reunião, então acredito que quem quiser adquiri-lo, seria aconselhável buscar em sebos ou importar por sites portugueses que entreguem por aqui.

“[…] Não, não era bem a filha de que os pais estavam à espera, longe disso. Desde logo, quando nasceu, já era diferente de todas as outras crianças, uma pequena bola envolta em tanto pêlo que até os físicos ficaram espantados.- Rainha – disseram eles quando o silêncio se tornou demais embaraçoso – a princesa é um bocadinho peluda. Mas de resto – acrescentaram- é perfeita como uma flor. […]”

Essa história conta a luta de uma princesa enorme, peluda, forte e linda, que sonha assumir o lugar do pai como Rei. Mas sua família além de não acreditar em seu potencial, acha que o posto só pode ser assumido por um homem, vendo com horror o esforço da filha de se tornar mais resistente e capaz.

Eis que a autora, Sara Monteiro, narra a jornada da Princesa que quer provar ser não só tão capaz quanto um homem, como ainda melhor para assumir o posto de Governo do reino que tanto ama.

Gente, é lindo, simples assim. ISBN: 978-972-43-1235

Na busca pelo código desse último livro, vi essa lista do blog Letra Pequena do Público, A literatura infantil tem novas princesas, que também recomendo, apesar de grande parte dos livros não terem sido publicados no Brasil.

E se você gostou desse artigo, talvez também goste de 10 desenhos infantis inteligentes e que promovem a igualdade.

70 Comments

  1. Gostei bastante da lista,vou dar uma olhada para conhecer melhor!
    Vou compartilhar na minha página no facebook para que outras mães tenham conhecimento!
    Beijos

  2. olá Paola, gostei do post! tb canso um pouco das histórias dos contos de fadas…eles têm sim o seu lugar na infância, mas sou totalmente a favor a diversificar e trazer outros repertórios! Aqui queria indicar o filme VALENTE, que é maravilhoso! contra o esteriótipo da princesa! Mto bom! Vc viu? Outra indicação livro lindo: O POTE VAZIO.

    • Roberta Lopo Bezerra

      7 de fevereiro de 2016 at 08:44

      O POTE VAZIO, um livro lindíssimo! Ideal para crianças que já absorvem bem o conteúdo moral da verdade. Com ilustrações que são obra de arte! Boa lembrança.

  3. Gostei da lista sim. Mas questiono algumas considerações acerca dos clássicos.
    Gratidão por compartilhar.

  4. Antonio sérgio gomes da silva

    21 de março de 2015 at 10:21

    OLÁ…ONDE POSSO ADQUIRIR OS LIVROS?COLEÇÃO INTERESSANTE!!!

  5. olá Paola, adorei seu post!!!! e queria te indicar um livro que poderia fazer parte desta lista: “…e o príncipe foi pro brejo…” editora Folias de ler , da minha autoria e com minhas ilustrações-Suppa!

    • Oi Paola, confesso que li o post só para ver se o “e o príncipe foi para o brejo…” estava na lista. Ele é um livro muito bacana que trata igualmente do tema! Suppa, parabéns pela obra que é uma das preferidas da minha filha Gloria. Abraços desde Paris.

  6. Vergonha!!! Colocando ideologias nas mentes de nossas crianças

  7. Simplesmente maravilhoso! Estamos com um projeto em uma creche e vou sugerir esses livros aos coordenadores! Adorável.

  8. Esse texto veio ao encontro com o meu projeto pedagógico, pois se intitula Entre princesas e super heróis, porém não estou trabalhando só as princesas dos contos e sim trazendo para as crianças outras princesas que não vivem em castelo, não tem súditos, não são brancas e não esperam por príncipes… os super heróis também estou trazendo o que seria um herói, o que ele faz e quais são os verdadeiros super heróis da nossa realidade, e com isso estou conseguindo ampliar através de minha equipe pedagógica o repertório culturas das minhas crianças… Contudo, acredito que tenhamos sempre que partir da realidade das crianças e então ir ampliando o conhecimento delas… mas adorei as indicações… vou tentar adquirí-las… obrigada

  9. Adorei a lista e gostaria de acrescentar duas sugestões: ” Até as princesas soltam pum” e ” Os três lobinhos e o porco mau”.

  10. Contos de fadas tradicionais não têm ideologias, José Antonio???

  11. Adorei, quero mandar para minha neta e gostaria de saber onde posso comprar.

  12. Oi, tudo bem? Adorei a postagem, acho muito pertinente! Adorei o último, acho que essa personagem me ganhou de imediato <3 Espero que seja lançado aqui no Brasil logo! *-*

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

  13. Gostei das indicações, gratidão por disponibilizar essa lista para mães e pais preocupados em criar filhos melhores para nosso mundo. Só fico na dúvida do A Princesa e a Ervilha. Esse, sem sombra de dúvida, sempre foi um dos contos que mais me incomodam. A noção de que alguém da realeza é especial, diferente dos plebeus chega a me dar coceira. Não sei se ambientá-lo na África é suficiente para me fazer dá-lo ao meu filho.

  14. Adorei os livros, as capas, os temas, tudo parece ser lindo e ótimo para nossas crianças. Enquanto pai de uma menina, adorei ainda mais pelo incentivo às meninas a viverem a vida e não à submissão a um homem. Muita mulheres tem esse ideal na cabeça (que precisam de um homem para ser feliz e ter uma vida completa). Porém… Paola, acho que você acabou escrevendo suas palavras de uma forma um pouco agressiva para outras pessoas.
    Da mesma forma que esses estereótipos são prejudiciais à mentalidade das crianças, também o são qualquer outro tipo de estereótipo. Não podemos trocar um por outro, e sim erradicar todos eles.

    De que adianta eu dizer pra minha filha que brancos, negros, índios, asiáticos, homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais, enfim… De que adianta eu dizer que somos TODOS iguais, se eu mantiver minha postura com foco sempre em um grupo como o melhor. Da mesma forma que não podemos dizer que o Homem branco e heterossexual é o melhor (apesar de a mídia colocar e muito, isso dentro da mente da criançada), não podemos dizer que uma mulher negra ou um homem asiático ou qualquer outro estereótipo, seja melhor que outro. Se somos iguais, SOMOS IGUAIS. Sem melhores ou piores.

    Adorei suas sugestões, adorei sua forma de se colocar, mas creio que tenha sido um pouco(pouco mesmo) exagerado em certos momentos. Longe de mim vir aqui alfinetar ninguém, também sou escritos, adoro o que eu faço e me preocupo bastante com a opinião dos que lêem tudo que escrevo. De qualquer forma, desejo um bom trabalho e sucesso pra você. Grande abraço.

  15. Vergonha? Pelo contrário. Pôr ideologias não seria também incentivar as nossas crianças a apreender esteriótipos que, na realidade, só aumentam a discriminação e o preconceito?
    Não sou contra os contos de fadas clássicos, na verdade faço uso deles em sala de aula. Mas o “choque” com a utilização de contos que vão de “encontro” com o convencional é NECESSÁRIO. Temos que, além de proporcionar uma boa leitura às crianças, fazê-las desenvolver o senso crítico e analítico.

  16. Achei muito interessante a matéria, as sugestões dos livros. Porém , sou adepta aos contos de fadas tradicionais, acredito que eles tem muitos valores e questões para as crianças passarem com relação a sua maturidade emocional. Podemos tbém trabalhar no sentido de semelhanças e diferenças com os personagens ditos “submissos”, como criar outros contextos para mudar uma parte do conto. Ressalto que conheçam o livro : Os sete pecados capitais nos contos de fadas,de Sheldon Cashdan. Penso que procurar a diversidade cultural sempre será a forma correta de trabalhar,mas não abro mão dos contos de fadas que são milenares! Enfim , é nessa troca de ideias, lendo os comentários anteriores, que vou moldando os meus repertórios das interpretações, no convívio dos tempos atuais. Bom trabalho!!!

    • Eu concordo com a Silvia que não podemos descartar os contos de fada.
      Eles tem sido de muita importância para o desenvolvimento mental e psicológica da criança. Como educadores temos que ajudar as crianças a resolverem conflitos.
      A viverem the Golden Rule.
      Se todos seguirem essa norma, a sociedade será mais humana.
      Sinto que há uma grande preocupação de fazer tudo para ser agradável as mudanças atuais. Ninguém vai mudar Platão or Sócrates !
      Clássico não se muda!

  17. Muito bom pois a realidade diverge totalmente da fórmula irreal e desgastada sempre presente nos antigos contos de fada.

  18. O universo dos contos de fadas é muito mais amplo do que qualquer análise literal e mesmo histórica. É uma linguagem simbólica e, por isso, vai além da visão feminista, entre outras, embora essa leitura também caiba. Gostei do artigo e principalmente das dicas de livros! Uma sugestão: vale a pena conhecer a maravilhosa pesquisa feita pelo autor, no livro “A Psicanálise dos Contos de Fadas”. Compreender os contos de fadas como, de certa forma, “ilustrações” do universo psíquico do homem, torna a compreensão deles muito mais profunda e rica. Outra sugestão é estudar sobre o inconsciente coletivo, conceito de Carl Gustav Jung, e a respeito do que ele diz sobre arquétipos e imagens arquetipicas, para compreender o quanto a jornada do herói, que é, de certa forma, a jornada de cada um de nós na vida, está representada na mitologia e nos contos de fadas. Quanto à “modernização” dos contos de fadas, existem muitos exemplos, ótimos filmes (fora os da Disney, que distorceu o principal do conteúdo simbólico dos contos, apresentando-os com uma visão simplista, maniqueísta, machista, etc.) e livros, criados com bom humor e espírito crítico, como algumas pessoas já citaram aqui, nos comentários (“Os três lobinhos e o Porco Mau”, entre outros). Esse assunto é da maior importância, especialmente para compreendermos o universo simbólico que nos constitui internamente. Parabéns a autora pelo artigo! Espero ter contribuído um pouco com essas dicas e sugestões. Um abraço.

  19. Só complementando meu comentário anterior e ainda querendo contribuir, é importante que não se confunda contos de fadas tradicionais com os desenhos animados criados por Walt Disney, que acabou distorcendo grande parte do valor simbólico dos contos de fadas, e, com isso, terminou sendo maniqueísta, machista, etc. Os contos de fadas tradicionais, inteiros, isto é, sem o recorte superficial feito por Walt Disney, trazem conteúdos simbólicos da maior importância, não só para as crianças como também para adultos. Vale a pena conhecer! Um abraço.

  20. Cara articulista,

    Não li o livro “A Princesa que queria ser Rei”, mas pelo que você mencionou (uma princesa enorme, peluda, forte e linda, que sonha assumir o lugar do pai como Rei…) parece ter clara inspiração em uma personagem real, a Rainha Cristina da Suécia (1626-1689), que era conhecida por ser peluda, ter forte personalidade e ter sido formalmente coroada como “rei”. Att.,

  21. Senti falta de “Procurando Firme”, da Ruth Rocha

    • Eu também, Fátima! Ruth Rocha e Ana Maria Machado também fizeram e fazem um trabalho muito interessante de “quebra” de estereótipos. “História Meio ao Contrário” (Ana Maria Machado) é igualmente um ótimo
      exemplo disso.

  22. MEU NOME É LUIZ CERQUEIRA, SOU POLICIAL CIVIL, ESCRITOR DE LITERATURA INFANTIL, TENHO 17 LIVRINHOS DE HISTÓRIAS ESCRITOS COM PERSONAGENS CRIADOS POR MIM…CRIEI O BORRACHINHA, A CULTURINHA, O PORQUINHO VOADOR, ZENILDA A FADA-BRUXA, ETC…CRIEI A 1ª GRIFE INFANTIL-CULTURAL DO BRASIL( livrinho, musiquinha e roupa) SOU PRESIDENTE DA CULTURITA (ITAPERUNA-RJ) ASSOCIAÇÃO DE ARTISTAS. FACEBOOKs: LUIZ CERQUEIRA E TAMBEM “…CULTURITA” E YOUTUBE. JÁ TENTEI DE MUITAS FORMAS MAS OS GRANDES ESCRITORES NÃO NOS DÃO CHANCE E AS EDITORAS NÃO ABREM PORTAS. POR ISSO, CONTINUAMOS NA MESMICE. AS EDITORAS DEVERIAM BUSCAR NOVOS VALORES…

  23. Muito interessante!!! Ainda mais pra mim que sou pedagoga ^_^

  24. Outra sugestão: a princesa preguiçosa e o principe acordadão.
    A princesa é dorminhoca e o principe ligado na tomada, os dois se gostam mas não quere abrir mão dos seus castelos. Então combinam de passar o dia do castelo dele (acordados e brincando) e a noite no castelo dela, dormindo um sono gostoso.

  25. Amei! Vale a pena acrescentar à lista “The Paperbag Princess” de Robert Munsch! É ótimo… da princesa que enfrenta – com sua perspicácia e inteligência – um dragão, salva o principe e, quando o principe a critica porque está descabelada e mal vestida, ela logo diz, “You may look like a prince, but you act like a bum.” … And they didn’t get married after all” (assim termina o livro). A única tristeza é que ainda não tem em português.

  26. Excelente! Gostaria de indicar também “A Princesa que não tinha reino”.

  27. Senti falta especificamente de duas obras, que considero muito interessantes de autoras brasileiras, nesta mesma linha de “quebra de estereótipos”:
    “Procurando Firme” (Ruth Rocha), citada, inclusive, num dos comentários e “História Meio ao Contrário” (Ana Maria Machado).
    Na minha opinião, as duas autoras têm maestria no imprescindível quesito de escrever com profundidade.

  28. Muito legal. Amei!
    Tenho livros infantis e também me enquadro nesta nova era das histórias.
    Tenho:
    A Princesa Banguela
    As Princesas Diferentes

    Abraços…
    Lena Rossi

  29. Muito interessante esta forma diferente de abordagem das histórias, realmente é necessário atualizações, a sociedade muda… No entanto acho legal reafirmar mesmo como vc disse, os contos clássicos não são de todo ruim, dentro de seu contexto (e tudo tem um contexto!) elas deixam sim ensinamentos e tem seu sentido, principalmente os originais (como tb foi dito nos comentários acima, sem o recorte de Disney, por exemplo). O que me incomoda é ainda assim continuarmos falando de “príncipes” e “princesas”. Tudo bem que tb é um recorte do que vem do clássico, existem trilhões de outras temáticas em livros, mas a insistência nessa temática tb e ainda me soa “arcaico”, ainda falamos de “um ser especial”. Quem são nossas princesas hoje, principalmente no Brasil? Não conheço as histórias na íntegra e quero procurá-las, mas a princípio me parece que alterar somente uma parte da abordagem de um clássico traz tb esteriótipos e talvez crie o sintoma da negação de algo que tb é bom, não perfeito mas tb bom, os contos clássicos. Enfim, coloquei aqui algumas de minhas divagações, pensamentos novos, quero estudar mais o assunto, rs. De qq forma, como falei antes, muito legal esta abordagem. Parabéns pelo blog e pela lista!

    • Também penso assim Marília. A evolução pode até modificar comportamentos e valores de algumas coisas para a sociedade, mas eles foram construídos sobre alguma base, que não precisa necessariamente ser apagada ou considerada “errada”.

  30. Uma sugestão de um livro que li quando era pequena (o primeiro que li zilhões de vezes sem parar até saber de cor) e que acho que foge também dos padrões e é be legal: A Vassoura da Bruxa da Rosana Rios.

  31. https://www.catarse.me/pt/verduncioeazulino

    Gostei muito da matéria e gostaria de convidar a conhecer um livro infantil de minha autoria e que está em financiamento coletivo chamado Verdûncio e Azulino : Uma Amizade Além das Diferenças, que pode ser utilizado para conversar com as crianças sobre o respeito as diferenças.

  32. Eugênia Correia

    23 de abril de 2015 at 10:33

    Gratidão e parabéns! Obrigada por postarem essa lista e mostrarem a importância dos personagens na vida.

  33. Se você reparar bem, vai notar que o Livro 1 (A Pior Princesa do Mundo) é um baita clichê. Ele desconstrói o clichê do príncipe encantado, apenas para criar o clichê do “homem-inútil-bobão”, tão difundido em nossa sociedade atual através de personagens como Homer Simpson, Petter Griffin, Alan Harper, entre muitos outros. Basicamente, trocando um clichê “machista” por um “misândrico” (algo típico do feminismo moderno).

    Uma fuga real de clichê seria encontrar um ‘Mendigo Encantado’, um homem sem os clássicos atrativos esperados de um ‘Príncipe Encantado’ mas que fosse de bom caráter, sincero, que ajudasse e fosse ajudado pela princesa, mostrando em alguns pontos da história que ambos são mais bem sucedidos podendo um contar com o outro.

  34. Olá, Paola,

    Você pode indicar onde comprou o A Princesa que queria ser Rei? Já sei que não está à venda no Brasil, mas também não encontro em sites portugueses.

    Obrigada

  35. Gostei muito dos comentários, mas concordo mais com os de Sílvia Sotangi e Regiana Milone. Gostaria de sugerir um título que acho interessante “Chapéuzinho Amarelo” de Chico Buarque de Holanda. Parabéns pelo blog, acredito ser muito importante discussões como estas, para podermos propciar o que há de melhor para nossas crianças que, ao meu ver, já estão sendo tão massacradas desde muito cedo, transformando-se em adultos miniaturas, perdendo muito de sua infância!

  36. Oi Paola, SUPER parabéns!

    Lista clara, objetiva e, especialmente, de grande utilidade.

    A propósito, será que podes me “socorrer”?

    Fazer minha pequena acostumar com os óculos não foi das tarefas mais fáceis mas, há alguns meses, descobri que podia se tornar mais difícil… Veio o tampão!

    Confesso que nunca tinha parado pra pensar “como?” crianças reagem nessas situações.

    Como se não bastasse a adaptação física (porque aquela nhaca vem com uma cola capaz de colar pensamento e, por mais que tenhamos todo o cuidado de tirar um pouco da cola antes e muita paciência pra descolar depois, é quase impossível não machucar já que, na maioria dos casos, a indicação é de uso freqüente por determinado período), ganhamos de brinde a adaptação “moral”.

    Agora me diz “como” posso convencer uma menina de sete anos, que conhece/convive com pessoas de todas as “cores, modelos e tamanhos”, das mais diversas condições sociais, opções sexuais, deficiências físicas e mentais, etc, da importância de usar aquela “coisa feia” (palavras dela!) se ela NUNCA viu ninguém usar?!?

    Vendo tua lista hoje, confesso que, a cada novo título, pensava: “tomara que o próximo seja com óculos e tampão!”

    Mesmo não tendo encontrado o que esperava, salvei a lista pra próxima ida à livrar e mantenho a esperança de encontrar algum material nesse sentido.

    Se souberes de algum material, independente de qual, que inclua essa realidade, tens como me indicar?

    Desde já, MEGA obrigada e, mais uma vez, SUPER parabéns!

  37. *livraria… E viva o corretor automático!

  38. Lista incrível!
    Mas só uma pequena correção: o filme da Disney foi baseado no conta da princesa e o sapo mesmo, não tem nada da princesa e a ervilha… Acho que vc se confundiu…

  39. A princesa e a ervilha não é adaptação da princesa e sapo. Minha mãe já me contava essa história há uns 25 anos atrás, exatamente como mencionou no post, exceto por ser negra, mas também nunca me foi dito que era branca ou loira dos olhos azuis. Nunca tive o livro ou soube que houvesse algum filme pra essa história. Ela aprendeu a história nos tempos de escola dela.

  40. muito boa sua relação de livros, vou passa pra minha mãe que é professora.

  41. Quero todos!

  42. Adrianna Reisurreição Santos

    26 de abril de 2015 at 15:50

    Muito bom! Gostaria de indicar também Godi: um menino chamado liberdade (Fábio Ferreira)

  43. Amei conhecer seu blog, essas dicas e também as de outro post, sobre desenhos inteligentes que promovem a igualdade. Parabéns e muito obrigada por compartilhar 🙂

    A propósito, indiquei esses dois posts nos meus Links da Semana. Espero que não se importe e que passe lá para visitar algum dia desses!

    Beijos!

  44. Ei! Tem mais um muito legal: http://www.paulinas.org.br/loja/cinderela-nunca-mais, da minha amiga Juliana Gonçalves. Não é tão iconoclasta, mas foge com graça do estereótipo “princesa adormecida que não pode fazer nada sem seu príncipe ou ajuda mágica”. E é muito gracioso, uma leitura muito gostosa. Recomendo a leitura e a resenha. Abraço!

  45. Faltou incluir “História meio ao contrário”, de Ana Maria Machado.

  46. DYLA CHRISTIANE FREITAS CARDOSO

    4 de maio de 2015 at 10:48

    AMEI O ARTIGO!!!AMO DEMAIS CONTAR E OUVIR HISTÓRIAS!!!DUAS DICAS….GUILHERME AUGUSTO ARAÚJO FERNANDES E A CAIXA DE JÉSSICA!!!!UM GRANDE ABRAÇO

  47. Muito obrigada pelas propostas. Aproveito para sugerir uns livros antiguinhos da Adela Túrin. Em Portugal são publicados pela Kalandraka.

  48. Achei muito bacana a lista!
    Mas um conto tradicional que eu gosto e eu acho que foge um pouco desses estereótipos é A Bela e a Fera. E gosto na versão Disney mesmo:

    Primeiro porque a Bela, não era só Bela, ela era inteligente, gostava de ler, queria conhecer o mundo (ela fala isso no filme da disney), não queria casar com um cara burro, apesar de bonito, como o Gaston. E por esses motivos, ela era considerada esquisita na cidade.

    Aí ela acabou indo morar no castelo da Fera, para salvar o pai. Lá ela se apaixona pela Fera, porque apesar da aparência horrível, era inteligente e gentil com ela. Então ela se apaixona pela essência e não pela aparência. E no fim das contas, ela que acaba ajudando a Fera, porque com o amor dela, quebra-se o feitiço e ele deixa de ter aquela aparência de monstro e torna-se um cara bonito. E todos os que conviviam (amigos, empregados) com ele, que também estavam amaldiçoados por culpa dele, voltam a ser eles mesmos, ou seja, pessoas felizes.

    Apesar do casamento com final feliz, acho diferente das outras histórias, porque não foi ela a ajudada, como a Branca de Neve, a Cinderela ou A Bela Adormecida. Ela que ajudou. E também porque não fala-se somente da beleza dela, mas de várias outras características, como a inteligência e não dar atenção ao que os outros pensam dela.

  49. Onde posso encontrar esses livros digitalizados?

  50. Complementando a discussão iniciada pela Regina Milone, numa perspectiva sócioantropológica e histórica, devemos ter em mente que os contos de fadas têm sua origem nas antigas civilizações pré-letradas, portanto, eram passadas oralmente, de geração para geração. Na busca do entendimento das suas vidas, dos seus valores, da sua cultura, de todo tipo de opressão que a povo sofria, tudo era passado para os seus filhos. Na Idade Média, para fugir da violência do seu mundo, representada pelo feudalismo e a Igreja, o povo passou a contar, por meio de uma linguagem simbólica e personagens arquetípicos, a realidade vivida por ele. “Como quem conta um conto aumenta um ponto”, pela própria característica da oralidade, em cada lugar, que essas histórias eram contadas, também eram modificadas, de acordo com as experiências de vida. Assim, a grande maioria dos contos de fadas tinham conteúdos sobre violência, mortes, guerras, lutas sangrentas e todo tipo de barbárie cometida. A partir de Perrault, os Irmãos Grimm entre outros pesquisadores desses contos, as histórias foram escritas e seus conteúdos preservados com os mesmos valores morais da época, das organizações sociais (clero e nobreza) e sua influência tirânica sobre a população. Sendo assim, esses contos de fadas voltaram-se para os adultos. Com o passar do tempo, os contos de fadas foram sendo modificados, fazendo com que as relações sociais se tornassem menos violentas, tentando amenizar a crueldade desvelada, transformando-os para crianças. No século XX, Walt Disney desenvolve a indústria do entretenimento e do consumo para crianças, utilizando-se de desenhos animados e filmes baseados nos contos de fadas. Para Henry Giroux, pesquisador sobre a teoria da pedagogia crítica, a disneyzação da sociedade capitalista influencia, negativamente, o desenvolvimento dos valores morais e éticos de nossas crianças, além de vender produtos relacionados aos filmes. Assim, os filmes infantis fornecem uma imagem da fantasia, nada inocente, criam esteriótipos de gênero, de raça, de naturalização das esferas de poder, das desigualdades sociais antidemocráticas. Paralelamente, o consumismo e a mercantilização de produtos, direta e indiretamente, relacionados aos contos de fadas crescem assustadoramente. O que para os pais parece inofensivo, para as crianças é uma realidade perversa e deve ser duramente criticada e combatida nas escolas, pelos pais e a pela sociedade.

  51. Recomendo de todo coração “Chapeuzinhos coloridos” -Torero, José Roberto; Pimenta, Marcus Aurelius. Cada cor represent uma reviravolta na história. Fantástico e lindo!

  52. Dalva Aurora fernandes tavares

    28 de maio de 2016 at 15:02

    Sou psicopedagoga, e amei essas literaturas

  53. Thais Zak Ferraz Henriques

    29 de maio de 2016 at 19:14

    Acho muito legal a diversidade!
    Acho legal o negro ocupar o seu espaço, as mulheres serem donas dos seus narizes e tudo o mais…
    Só que acho q não se deve criticar as princesas q não são negras, chamar elas de pálidas, não seria tbm outro tipo de racismo e preconceito?
    Criticar as princesas q se casam com principes tbm não seria preconceito?
    Uma menina não poderia escolher se casar, da mesma forma q outra menina não poderia escolher não se casar? Por quê uma escolha seria melhor ou pior q a outra?
    Uma menina poderia querer ser rei, mas outra tbm poderia querer ser rainha!
    Devemos ter cuidado ao criticar uma ideologia, impondo outra!
    Cada um merece ter o direito a fazer suas próprias escolhas!
    E cada princesa pode ser linda, a sua maneira, na Europa ou na Africa! Branquinha ou Pretinha! (Se preferirem, Caucasiana ou Afrodescendente)! As duas merecem ter suas culturas respeitadas!
    O Brasil é um pais com culturas diversificadas, de varias etnias misturadas!
    Nossas princesas e principes merecem ver suas etnias e culturas valorizadas, sem menosprezar as culturas e etnias dos outros…

  54. Escola Municipal Machado de Assis

    28 de junho de 2016 at 21:10

    Gostei muito da lista. PRETINHA DE NEVE já trabalhei com meus alunos. Tem um da Edutora Ática muito bom que se chama A PRINCESA DE CABELOS AZUIS E O HORROROSO HOMEM DOS PÂNTANOS.

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